domingo, 25 de janeiro de 2009

O Motor da Economia Mundial: Petróleo

Não é uma tarefa banal para a maioria da população interrogar-se acerca da quantidade de petróleo disponível para sustentar as actividades quotidianas de toda a humanidade. - 'O petróleo não acaba! Há-de haver petróleo para mim, para os meus filhos, netos e trisnetos!' - esta é uma forma de pensar que atinge milhões de pessoas em todo o mundo; no entanto não é um raciocínio válido, já que a quantidade de petróleo disponível não é assim tanta: dos seiscentos sistemas existentes no mundo, com condições adequadas para produzir petróleo, quatrocentos já foram ou estão a ser explorados, e os restantes duzentos encontram-se em zonas de difícil acesso, como é o caso das profundas águas do Árctico. Metade do petróleo existente no planeta concentra-se no Médio Oriente, e está sob o controlo da OPEP. Por outro lado, o petróleo não-OPEP aproxima-se do fim. Na verdade há cada vez mais gente e, por conseguinte, mais consumidores que exigem um aumento da produção mundial de petróleo. Sendo o petróleo uma matéria-prima finita, ao atingir o seu pico de produção entrará num processo de retorno, a produção deixará de aumentar para diminuir. A economia mundial entrará em declínio.
Sempre pensei que a velocidade de descoberta e inovação a que estamos sujeitos seria suficiente para descobrir novas fontes de energia capazes de responder às necessidades a que o 'nosso' petróleo consegue responder; no entanto aproximamo-nos do pico da produção petrolífera e não há qualquer fonte de energia que nos possa abastecer de forma tão abrangente como a actual. E quanto à energia eólica, solar, e até ao gás natural? Bem, estas seriam fontes de energia às quais poderíamos recorrer em substituição do crude. Porém, as energias eólica e solar estão dependentes de factores naturais, como a existência de vento ou de luz solar, que não são permanentes; o gás natural é um recurso de difícil transporte e muito caro; por outro lado, a energia nuclear seria também um caminho susceptível de análise se os seus problemas não fossem conhecidos.
A questão do petróleo não é de todo recente e já foi motivo de vários conflitos armados. A operação de libertação do Kuwait em 1991 liderada pelos Americanos, a Guerra do Golfo, e a invasão do Iraque em 2003 são exemplos disso. Com o término do petróleo prevêem-se cenários como estes, bem como o fim da economia de mercado e das sociedades industrializadas, fomes e epidemias que resultarão no perecimento de grande parte da população.
Resta-nos então acreditar que antes que surjam outros conflitos com base no petróleo surgirão também outras fontes de energia com a 'dimensão' e capacidade do mesmo. Resta-nos também acreditar que as 'máfias' ligadas, directa ou indirectamente, ao negócio mais lucrativo do mundo se consciencializem que o produto com o qual trabalham tem um limite próximo e que a obtenção de dinheiro fácil através dele não assume nem um terço da importância dos problemas que afectarão as gerações vindouras. Quer em termos ambientais, com a combustão permanente deste combustível fóssil que contribui para o aumento de dióxido de carbono no planeta e consequente aumento de temperatura, quer em termos económicos, pois o seu fim significará 'apenas' o limite da economia de mercado que conhecemos hoje em dia e o início de guerras entre países pela posse de uma energia em queda permanente.

1 comentário:

Francisco disse...

Nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Segundo as ultimas pesquisas que fiz em relação a este tema existem variadissimas explicações e nós somos suscetiveis de ser enganados constantemente, deles só sabemos o que a eles lhes interessa.

Não acredito que apenas exista petrolio para 50/100 anos, segundo me consta existe para bastante mais, o que não significa porém que não devemos desde agora começar a explorar novas maneira de criar energia para que não cheguemos a situações (ainda mais) limite.

No entanto e analizando um pouco a historia economica até à idade contemporanea vemos que apesar de algumas descobertas esta é a epoca mais pobre provavelmente de as colocar-mos em practica e como ja se pode constactar sem progresso a sociedade e a historia acabam por ser movimentos ciclicos o que me faz pensar que caminhamos claramente para uma necessidade do "planeta" em expulsar um peso de cima que não o está a deixar avançar. Se assim for não me admiraria nada que houvesse um genero de "peste negra" que não precisa de ser infecciosa pode até ser uma Depressão generalizada pela sociedade provocada pela crise financeira que nos custará mais muitos anos a superar, partindo de uma ideia de que vamos superar a crise e não simplesmente alterar as regras do jogo.

O motor da economia mundial é o petroleo sem duvida, tal como no seu tempo havia sido a madeira.. Mas um motor não funciona sem a combustão que no caso é feita pelo homem, estamos completamente desinteressados em inovar e do meu ponto de vista parecemos jovens alunos numa aula de dança que não conseguem já superar-se, estabilizaram. Por interesses ou até por ser realmente assim.

O que me entistece é ver que não nos preocupamos verdadeiramente com a situação.

Recordo-me há 10 anos atrás que houve uma campanha enorme em contra da utilização de crianças em fabricas na china e espalhadas pelo mundo, naquela altura durante poucos meses as exportações baixaram drasticamente.. Curioso que assim que os preços baixaram ninguem queria saber e hoje menos ainda.

Somos uns vendidos sem consciencia que deixaremos filhos, e que o nosso egoismo os prejudica de uma maneira que nem nós proprios somos capazes de saber quanto.

Cumprimentos!