
Penso que é motivo de orgulho, para qualquer pessoa, poder dizer que nunca foi atingido por um vírus que pelo menos, em Portugal, se manifesta em grande parte da população. Se é ou não contagioso, é algo que não se pode confirmar. No entanto, para os mais vulneráveis, talvez o risco seja elevado. Até hoje não foi diagnosticado quaquer sintoma em mim e espero que me consiga manter sempre 'saudável' neste aspecto. Refiro-me ao comodismo.
Embora tenho utilizado uma metáfora para iniciar o meu post, considero o substantivo vírus a melhor definição para o comodismo hoje em dia. Actualmente o comodismo atinge a população actuando como princípio de contágio moral. Observo este contágio essencialmente nos jovens, como eu. Precisamente a faixa etária que deveria mostrar mais interesse pela conquista e menos pela comodidade. A busca incessante pelo que desejam é substituída pelas facilidades que vão encontrando a cada dia que passa. A luta pelo que pretendem alcançar, dá lugar a um acomodar ao que já possuem. Ou seja, o comodismo torna-se a palavra de ordem dos nossos dias.
É facto que a população está desacreditada quanto a um futuro positivo para o País, até mesmo para o Mundo. Desde que me lembro de assistir a um telejornal ou de ler um jornal assisto a relatos negativos quanto ao futuro da nossa nação. Talvez, este seja um dos motivos que fundamenta o comodismo que abala a população portuguesa. Mas será este um motivo válido para nos continuarmos a prender às realidades existentes, deixando de procurar aquilo que pretendemos alcançar? Parece-me evidente que a resposta a esta questão é negativa.
Viveremos nós, em pleno século XXI, pior do que os nossos antepassados, contemporâneos de Pedro Álvares de Cabral ou de Vasco da Gama? Teremos, hoje em dia, menos tecnologia ao nosso dispôr? Teremos condições de vida inferiores? Não. Somos muito mais beneficiados nestas matérias. No entanto, o pessimismo e a comodidade prendem-nos e impedem-nos de realizar feitos tão grandiosos como os realizados nessa época. A força de vontade foi característica inconturnável da sociedade portuguesa, que, embora sujeita às dificuldades da altura, não baixou os braços e correu na descoberta de novos 'mundos', fazendo jus à glória de Portugal na época dos Descobrimentos.
A situação hoje mostra-se antagónica. É comum abordar um jovem que afirme estar na escola porque é obrigado, ou simplesmente porque não tem mais nada para fazer. A formação e a cultura são necessariamente postas de lado.
No entanto, esta sujeição às realidades sociais, não abarca apenas as camadas mais jovens. Em qualquer cidade, qualquer vila, ou aldeia se ouve dizer, por parte de adultos ou idosos, que não vale a pena fazer nada. Este 'não fazer nada' é a solução encontrada perante qualquer crise, seja ela grave ou um pouco mais ténue. Qualquer abalo na economia serve para utilizar a frase de que nada servirá para a revitalizar.
Será esta a solução para os males do nosso país? Agarrarmo-nos aos factos e esperar pelo futuro, ou lutar pelo futuro aguardando por novos factos?
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