
Numa sociedade cada vez mais corrompida pela ganância e pela inveja torna-se gratificante perceber que ainda existem pessoas que se mantêm fora da esfera do protótipo gerado em torno desta.
Falo de pessoas para as quais a amizade atravessa a fronteira de esboçar um sorriso ou de um 'bom dia' e atinge as mais versáteis e importantes situações. Pessoas que não consideram amigos aqueles com quem tomam um simples café mas aqueles que por mais longe que estejam conseguem estar à distância de uma simples chamada telefónica ou de uma sms.
Por vezes dou por mim sentada numa esplanada a observar as relações que se estabelecem hoje em dia entre os grupos das 'novas gerações'. São nesses precisos momentos que me orgulho das relações que venho a estabelecer desde os tempos em que era eu que me dirigia até essas mesmas esplanadas para 'jogar conversa fora' com os meus amigos. Isto porque à medida que vamos crescendo vamo-nos deparando com obstáculos e barreiras que além de nos fortalecerem e prepararem para problemas muito mais entrelaçados nos demonstram quem são verdadeiramene os nossos amigos, capazes de nos apoiar e fazer-nos ver sempre algo de positivo num ambiente que nos pareça de todo negativo.
Se há alguns anos atrás o rótulo de amigo abrangia um vasto leque de pessoas para mim, esse número tem vindo a diminuir consideravelmente. E digo isto não pelo que me tenham feito mas sim por aquilo que não fizeram. Há medida que essas barreiras vão atingindo o meu quotidiano algumas das relações que mantenho com os verdadeiros amigos vao-se intensificando tal como a certeza de que são eles o porto seguro a quem eu sei que posso recorrer sempre que precise.
A ideia de que um verdadeiro amigo é aquele com quem convivemos há anos e com quem tomamos café diariamente é um protótipo que me parece de todo mal estipulado. Em primeiro lugar porque ele terá de ser muito mais do que uma presença com quem convivemos e estabelecemos uma relaçao minimamente aceitável. E em segundo lugar porque a amizade não é construída com base em dias contados mas sim em factos contados.
Este último ponto posso afirmar com toda a certeza tendo em conta que ultimamente foi algo que se passou comigo. A certeza de uma amizade que começou sem interesses, sem sinismos, sem atritos... mas simplesmente com um sorriso, desabafos e confiança.
E realmente posso ligar a palavra confiança à pessoa de quem falo sem qualquer tipo de dúvida. E foi esta relação que me fez pensar no que realmente é um amigo...
alguém com quem estamos a maior parte dos dias?
alguém com quem falamos permanentemente?
alguém que nos apoia incondicionalmente?
Sim. Mas sobretudo aquele alguém que podemos não estar, nem ver ou até nem falar durante muito tempo, mas que sabemos que mesmo assim a relação não será afectada e que quando estivermos novamente com esse alguém a única coisa diferente será a alegria, por vermos quem não víamos há muito tempo, e aquilo que temos para lhe contar, que decerto levará mais algum tempo!
A única incerteza que me atinge relativamente a esta amizade é se vou realmente conseguir mantê-la quando terminar este ciclo a que chamamos de licenciatura. E sinceramente espero que por mais que este fim de ciclo nos afecte, não atenue de forma alguma a confiança e a amizade que temos vindo a estabelecer, baseada não em dias contados mas em feitos realizados como havia dito anteriormente!
1 comentário:
mais que um Obrigada... és tu <3
adorei!
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